Diário e novidades
Duarte Cordeiro, novo secretário-geral da Juventude Socialista, é da opinião que o Partido Socialista deve propor a alteração da lei de modo a permitir o casamento entre pessoas de mesmo sexo, defendendo que o casamento homossexual é "uma imposição do princípio de igualdade". Por outro lado, Cláudia Anaia, líder dos Jovens Socialistas Católicos, segundo a mesma notícia, é da opinião que "à ideia de casamento está indissociável a constituição de uma família, que possa haver filhos, com pai e mãe".
Independentemente da minha opinião sobre o assunto, não consigo perceber a lógica da argumentação de Cláudia Anaia. Por esta ideia, casais em que um dos elementos não fosse fértil ou em que simplesmente tivessem decidido de comum acordo não ter filhos, não poderiam casar. Para além disso, considerar família apenas aqueles grupos de pessoas constituídas por pai, mãe e filhos deixa de fora muitas das organizações familiares da actualidade. Mais uma vez fico com a sensação que a religião tolda o pensamento racional nas pessoas ou, como o Dr. House muito bem disse:
Rational arguments don't usually work on religious people. Otherwise there wouldn't be religious people.
[ Comentários: 8 ]
Este artigo é só para informar que a reportagem já foi retirada do sítio web da RTP. Tenho que agradecer a todos os que se interessaram pelo assunto e tentaram ajudar, em especial à Maria João, ao Ricardo Nunes e ao Luís Castro, que foram sem dúvida determinantes para este resultado.
Referências: "Exemplo de dedicação ao próximo" e "Queixa ao Provedor do Telespectador -- pedido de ajuda".
[ Comentar... ]
Se bem me lembro, esta história do Apito Dourado ou Apito Final, ou lá como se chama, começou com umas escutas telefónicas em que supostamente ocorria um acto de corrupção de um árbitro por pessoas ligadas ao FC Porto (o caso da fruta).
Desde aí que há uma coisa que me tem causado estranheza -- nunca os dirigentes do Porto tentaram contrariar as acusações. Ao invés, toda a sua defesa se tem baseado em pormenores jurídicos, se não vejamos. Começaram por pedir a nulidade das escutas, por não terem sido autorizadas por um juiz e, por isso, não servirem como prova. Isto está certo, já que não queremos que a Polícia ande por aí a escutar as conversas dos cidadãos apenas por sua auto-recriação... mas deixa o clube numa posição moralmente dúbia, para dizer o mínimo. Quando finalmente houve uma decisão do órgão da Liga de Clubes competente para julgar as consequências desportivas deste caso, armam-se em espertos e não recorrem da sentença, implicitamente assumindo a culpa. Finalmente hoje o Sr. Adelino Caldeira, que eu não conhecia, comentou assim o desfecho do caso no Tribunal Arbitral do Desporto:
"O FC Porto tem é que se preocupar em ter os melhores jogadores (...) porque tendo os melhores jogadores o FC Porto ganha. E foi o que o FC Porto também fez em relação a isto, contratou os melhores advogados suíços para este caso".
Ou seja, não ganhou por mérito da sua causa ou, longe de nós, por nunca terem tentado corromper um árbitro. Não. Ganhou porque contratou os melhores advogados suíços. Sinceramente, não percebo como os adeptos deste clube ainda têm cara para aparecer diante dos amigos...
[ Comentários: 5 ]
Quinta-feira passada, após ver o Jornal da Tarde da RTP1, escrevi este artigo sobre esta reportagem. Uma das questões que levantei no artigo foi a legitimidade ética e legal de terem filmado a cara das crianças, sem qualquer tipo de distorção ou encobrimento. No mesmo dia participei a minha preocupação ao Provedor do Telespectador, referindo apenas este aspecto, ou seja, sem o conteúdo ideológico do artigo neste blog:
No Jornal da Tarde de 10 de Julho, foi passada uma peça sobre a responsável por um lar de acolhimento para crianças do sexo feminino, identificada como Sr.a Maria Clara do Céu. A reportagem está disponível on-line aqui: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=354272&tema=27 .
Nessa peça são mostradas as caras de várias das cerca de 30 crianças lá alojadas. Não será isso eticamente reprovável? Aliás, será isso legal?
Na segunda-feira (quatro dias depois!) recebo a resposta à minha queixa, em que me informam que a Direcção de Informação da RTP iria ser interpelada sobre este "pertinente" assunto. Infelizmente, não era esta a resposta que pretendia. Por isso, respondi de novo:
Revi agora mesmo o vídeo da notícia, que continua on-line. Para além das caras das crianças, algumas delas são ainda identificadas pelo nome, idade e história de vida. Penso que estas crianças têm direito à sua privacidade, principalmente estando na situação anormal em que estão. Solicito, por isso, que o vídeo seja retirado o mais breve possível do site.
Foi um mau serviço prestado pela RTP a estas crianças. Mas foi também um mau serviço prestado por aqueles detêm a sua guarda e que institucionalmente estão obrigados a defender o seu superior interesse. Isto não é exactamente o que se espera de uma senhora que é identificada como um "exemplo de dedicação ao próximo".
Obrigado pela atenção
Dois dias depois o vídeo continua disponível, o que para mim é inaceitável. Peço, por isso, a vossa ajuda -- penso que a maioria de vós pode fazer o seguinte:
- Escrever ao Provedor do Telespectador pedindo para retirar a notícia do site;
- Passar a palavra, quer por correio electrónico, para os vossos amigos (não para todos os conhecidos ou indiscriminadamente para toda a lista de endereços -- isso é SPAM!), quer através de artigos nos vossos blogs;
- Pensando noutras acções que se podem tomar.
Obrigado.
[ Comentários: 6 ]
( assuntos focados: tecnologia web ubuntu linux sapo internet educação office )
Todas os grandes operadores de Internet móvel em Portugal, TMN, Vodafone e Optimus, participam na iniciativa e-escola, comercializando computadores portáteis a um preço de €150, em conjunto com um adaptador USB 3G e uma assinatura mensal com um período de fidelização de 36 meses. Estive a fazer uma breve pesquisa ao valor dos computadores que fazem parte dessa campanha e cheguei à conclusão que são PCs de entrada de gama, de valores entre os €550 e €650. Ou seja, uma diferença entre €400 e €500 para os preços a que eles são disponibilizados através da iniciativa.
Ora, com a chegada ao mercado de computadores portáteis a preços inferiores a essa diferença, à volta dos €300, como sejam os Asus EeePC ou o recente Acer One, penso que os operadores poderiam colocá-los a um preço próximo de zero -- talvez um preço simbólico, como €25, para não se perder a noção de valor -- ao abrigo do referido projecto. Dir-me-ão talvez que esses não são verdadeiros computadores. Eu respondo que, pelo contrário, são os computadores ideais para esta finalidade. A sua principal missão é a mobilidade, sendo pequenos, leves e rápidos. O sistema operativo vem já com as ferramentas necessárias para o trabalho escolar, nomeadamente programas de produtividade (processador de texto, folha de cálculo e programa de apresentações) e as ferramentas padrão para acesso à Internet. Incluem ainda os habituais programas de multimédia e têm disponível uma extensa biblioteca de outras ferramentas e programas para as mais diversas funcionalidades. Portanto, o ideal para um estudante que precisa de estar ligado em qualquer lado. Para complementar, e a pensar no futuro, poderiam ainda investigar o projecto OLPC para quando a iniciativa e-escola se estender aos alunos entre o 1º e 6º anos.
Mas tenho ainda mais uma sugestão. Umas vez que estes computadores estão ao preço de telemóveis de gama média, porque não fazer com uns o mesmo que se faz com os outros? O que quero dizer é que podiam vendê-los a preços ainda mais baixos, estou a pensar em valores entre à volta dos €150, com contratos de fidelização ao operador móvel, tendo como público alvo o português médio, ávido por experimentar esta coisa da Internet mas que ainda não o fez por ter medo de gastar mais do que um ordenado mínimo na aquisição do equipamento informático necessário. Saliento que seria fácil desenvolver e instalar pelos operadores um pacote de aplicações ou configurações destinados ao mercado português[1], quer usando o sistema que vem instalado, quer mesmo instalando outro, seja com a colaboração de empresas, como a Caixa Mágica, seja desenvolvendo o projecto internamente com recurso a outras distribuições. Por exemplo, o Ubuntu Netbook Remix foi pensado precisamente para este tipo de equipamentos.
É óbvio que o primeiro operador a chegar com uma solução deste tipo ao mercado ficará imediatamente em vantagem sobre os outros. Depois não digam que não avisei.
[1] Estou a pensar, por exemplo, no Sapo, com ligações no ecrã de apresentação para os seus serviços: pesquisa na Internet, blogs, fotografias, mensageiro...
[ Comentários: 1 ]
( assuntos focados: viagens )
Adicionei mais três séries de fotografias da Holanda à minha conta do Flickr. A primeira foi tirada ontem na base de Den Helder da Marinha Holandesa, durante as actividades do Dia da Marinha. Na Holanda, as comemorações deste dia duram um fim de semana inteiro, começando na quinta-feira à tarde e só terminando no domingo, com demonstrações militares, passeios nas lanchas da Guarda Costeira e em veículos todo-o-terreno dos fuzileiros, vários pavilhões e tendas com amostras das tecnologias e armamento usados na marinha, outros pavilhões com música ao vivo, navios abertos para visitas, etc. São três dias em que a pequena cidade de Den Helder se enche com centenas de milhar de visitantes, ansiosos por, como disse o nosso instrutor, ver com os próprios olhos onde o seu dinheiro é gasto.
A segunda série de fotografias foi tirada no Museu da Marinha, aqui em Den Helder e a terceira durante a caminhada para a praia que fiz esta tarde.
Finalmente, no mapa da região de Den Helder que tenho vindo a construir, adicionei dois percursos: o caminho que fiz para ir para a praia, a partir dos nossos alojamentos (que só interessará a quem tiver a sorte de cá passar os dois ou três dias de Verão que a Holanda tem por ano) e o percurso aproximado do passeio que fizemos em Texel e que já referi aqui num artigo anterior.
[ Comentar... ]
O Público relata uma iniciativa da Câmara Municipal da Maia que, se bem pensada e implementada, pode ser uma excelente ideia. Basicamente, pretende oferecer um dispositivo de armazenamento USB a cada aluno das escolas primárias do seu concelho para acederem aos conteúdos leccionados nas aulas, substituindo os livros e talvez alguns cadernos.
Tudo o que alivie os alunos do peso incrível que têm que transportar diariamente é bem vindo, mas algumas questões se levantam. A primeira é, desde logo, se todos os alunos têm computador em casa que lhes permita aceder ao conteúdo do dispositivo. No caso disso isso se verificar, não seria mais fácil colocar esses conteúdos na Internet, dispensando a utilização de um dispositivo pequeno e fácil de perder? Gostaria de saber mais sobre este projecto para poder responder a estas e outras questões que de imediato me ocorreram ao ler o artigo. Alguém tem mais informação?
[ Comentários: 1 ]
( assuntos focados: sociedade )
Na pesquisa que fiz para o artigo anterior fui parar à página dos Institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica do sítio do Patriarcado de Lisboa. Alguma coisa me fez voltar à página depois de escrever o artigo e, olhando com um pouco mais de atenção, reparei nestes nomes de algumas organizações ali listadas:
- Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade
- Criaditas dos Pobres
- Escravas da Santíssima Eucaristia e da Mãe de Deus
- Escravas do Sagrado Coração de Jesus
- Missionárias Servas do Espírito Santo
- Oblatas do Coração de Jesus
- Oblatas do Santíssimo Redentor
- Servas de Jesus
- Servas de Maria
- Servas de Nossa Senhora de Fátima
Estranhamente, muitas das congregações femininas têm nomes que sugerem escravidão ou servilismo. Será que, para a igreja, a função da mulher é servir? É que este padrão já não se manifesta nas organizações masculinas...
[ Comentários: 2 ]
( assuntos focados: sociedade justiça adopção educação televisão )
Nos últimos dias fui surpreendido com dois artigos relacionados com a educação religiosa de crianças, em blogs que costumo ler. O primeiro, Indocrination of children in religion, é especificamente sobre isso e apresenta alguns argumentos contra a sua prática. O segundo, O baptismo e as pessoas mesquinhas, não trata especificamente desse tema, mas ele é abordado em alguns dos comentários que se seguiram, nomeadamente os meus. Apesar de ser um assunto sobre o qual tenho uma opinião forte e que, provavelmente, merece um artigo a sério, eu continuaria sem me referir a ele neste blog por pura preguiça de escrever, não fosse uma notícia que hoje passou no Jornal da Tarde da RTP 1.
A peça, apresentada no sítio da RTP como "Esta freira é um exemplo de dedicação ao próximo", mostra uma casa de acolhimento de crianças do sexo feminino, que suponho ser a "Obra da Imaculada Conceição e Santo António" listada no sítio do Patriarcado de Lisboa, cuja responsável, a irmã Maria Clara do Céu, passou a vida a cuidar de crianças. Depois de ver a notícia, senti que a jornalista se esqueceu de colocar algumas questões, nomeadamente:
- Pelo menos uma das crianças disse que esteve ali toda a vida. Outras viam-se que eram ainda pequenas, de certeza com menos de dez anos. Qual será a justificação que um juíz encontra para as colocar ali, até à maioridade, e não como disponíveis para adopção?
- Outra criança referiu que ali tinha tudo o que precisava, condições, amigos, família, entre aspas. Será que, se lhe dessem a escolher, não preferiria uma família que não estivesse entre aspas?
- Que vantagem educativa para as crianças terá a prática de recitar aquela lenga-lenga do livrai-nos do mal ao pequeno almoço? E rezar o terço ao fim da tarde, servirá para quê?
- Qual será o problema das meninas usarem mini-saia? Será que, se fossem meninos, não poderiam usar calções? Suponho que não podem ter telemóvel porque não têm dinheiro... ou será porque os telemóveis são instrumentos maléficos?
- Não é suposto estarmos num estado laico? Então como pode o estado, por intermédio dos seus tribunais, colocar crianças em instituições de cariz religioso? E, já agora, será que se houvesse institutos de acolhimento de outras religiões as crianças também lá iriam parar?
- Finalmente, e esta é para o provedor da RTP, será eticamente correcto mostrar as caras das crianças institucionalizadas em reportagens deste tipo? Será isso legal?
[ Comentários: 3 ]
( assuntos focados: viagens )
O passeio do passado Domingo foi a Texel (lê-se Téssel), uma pequena ilha (463 Km2) a norte de Den Helder. Apanhámos o ferry-boat em Den Helder e, chegados à ilha, alugámos bicicletas para visitar os locais que tínhamos planeado. A ilha é totalmente plana e a bicicleta o melhor meio para nos deslocarmos... em dias sem vento e se estivermos minimamente habituados a pedalar. Este pormenor é bastante importante: não tentem uma volta à ilha de bicicleta se alguma das condições anteriores não estiverem satisfeitas. Pedalar contra o vento aqui é pior que subir uma ladeira e, não estando habituado, é natural que um dia inteiro faça algumas mazelas.
Começámos por visitar a parte oeste da ilha, onde se situa o Parque Natural das Dunas de Texel. Esta é a parte mais arborizada da ilha e pedalar pelas ciclovias no meio da floresta é, efectivamente, um prazer. O ar é fresco, as espécies de árvores e arbustos são variadas, abrindo-se por vezes em clareiras, outras vezes fechando-se em aglomerados impenetráveis; o som das aves é constante. Sensivelmente a meio desta zona arborizada, por altura do marco 17 (as praias na parte oeste da ilha estão numeradas desde o sul até ao norte, para que os caminhantes possam saber onde se encontram), encontra-se um museu ecológico, o Ecomare, que é uma visita interessante. Tem bastante informação sobre a vida que se pode encontrar nas dunas de Texel e mar circundante, incluindo aquários com peixes, tanques com focas e recintos com aves. Ver mamíferos inteligentes como as focas presos num tanque é sempre uma experiência deprimente para mim, mas reconheço que é uma forma de consciencializar uma parte da população para a defesa do meio ambiente e a preservação das espécies mais ameaçadas. Depois da visita ao Ecomare, dirigimo-nos à praia, para ver como era. Descobrimos que é semelhante às praias portuguesas, com a ressalva que o tempo não estava grande coisa -- muito vento e temperatura demasiado baixa para gente habituada aos 30ºC como nós. No entanto havia imensa gente quer na areia quer no bar de apoio e os parques, automóvel e para bicicletas, estavam cheios.
Saindo da praia continuámos a nossa viagem para norte, em direcção a De Koog. Esta é uma vila tipicamente turística, com pensões, bares, restaurantes e uma população evidentemente forasteira. Fizemos aqui a nossa primeira paragem, ganhando forças com um pequeno passeio a pé pelas ruas. Daqui dirigimo-nos primeiro para oeste e depois para sul, em direcção a De Waal atravessando a parte central da ilha. A paisagem é maravilhosa, com um campo de visão praticamente ilimitado, sucedendo-se os pólderes cultivados ou de pastagem. Com o vento pelas costas, a pedalada também era fácil, pelo menos até à travessia do primeiro dique, que tivemos de subir e descer. Assim que o fizemos e voltámos para sul, passámos a estar contra o vento e em terreno desprotegido, o que tornou mais difícil o avanço, tendo chegado a De Waal já algo cansados. Parámos então para almoçar (as sandes que trazíamos nas mochilas) e decidir o que fazer a seguir. Eu queria ir em direcção a Oudeschild, para visitar o museu marítimo, mas pensava que com o vento que já se fazia sentir e ameaçava piorar, seria bastante difícil lá chegar, fazendo mais sentido pensar em tentar encurtar o passeio dirigindo-nos já para a capital, Den Burg (podes seguir o mapa para perceber melhor as opções em jogo). No entanto, os meus colegas acharam que ainda teríamos tempo de visitar o museu, talvez para me agradar, por saberem que era um dos meus objectivos para o passeio. Assim, fizemos os quase 4500m entre De Waal e Oudeschild, com vento lateral e por vezes frontal, tendo eu chegado à cidade costeira já em bastante mau estado. A pouca experiência de bicicleta fazia-se já sentir, com as habituais dores no traseiro, onde as pernas roçavam no selim, e nos músculos das coxas, devido ao esforço.
Felizmente valeu a pena. O Museu Marítimo (Maritiem en Jutters Museum) é espectacular e vale bem os €5.50 da entrada. As fotos que lá tirei mostram um pouco do conteúdo -- uma sala com miniaturas de embarcações do tempo dos galeões e naus, uma habitação demonstrando as casas típicas de pescadores e homens do mar do início do século passado/fins do século XIX, uma loja de ferreiro, e a parte grande do museu consistindo em embarcações, aparelhagem e outro equipamento marítimo. Existe ainda um moinho de vento que pode ser visitado para se ter uma ideia do funcionamento destes equipamentos. É realmente uma visita obrigatória para quem for a Texel.
Faltava-nos o último objectivo do passeio -- conhecer a famosa destilaria da cerveja Texelse, que fica no caminho entre Oudeschild e Den Burg, a capital da ilha. Conseguimos lá chegar, mas tivemos uma desilusão: estava fechada. Decidimos então continuar até Den Burg e beber lá umas cervejas para retemperar forças. Entrámos na cidade e percorremos as ruas à procura de um bar que tivesse o logótipo da Texelse mas, não o encontrando, acabei por parar e entrar num qualquer. Felizmente, tinha essa marca de cerveja, embora apenas uma das diferentes qualidades existentes, e valeu a pena, pois foi a melhor cerveja que bebi até agora na Holanda. Não chega perto da nossa Super Bock, mas era bem boa. Enquanto esperávamos pela cerveja (e pela segunda rodada, já que a rapariga que nos atendeu não percebeu que lhe pedimos a conta e trouxe, em vez disso, mais três cervejas) eu ia explicando aos companheiros de passeio que a parte que nos faltava, o regresso a 't Horntje, iria ser bem difícil, com o vento de sudoeste que se fazia sentir. E assim foi: os primeiros 2500m, não foram muito penosos, já que em parte estivémos protegidos pelos prédios da cidade e, depois, o vento soprava do lado direito, não fazendo muita mossa. O pior foi quando virámos de frente para o vento, para cumprir os 2300m que faltavam. O vento, num local plano como são estes pólderes, não sopra por rajadas mas sim de forma constante, sempre pressionante e, com velocidades acima dos 30Km/h, como estava nessa tarde, tornava cada pedalada um esforço insuportável. Assim, enquanto que os meus companheiros continuaram pedalando contra o vento até ao fim, eu desmontei e percorri a maior parte desses últimos quilómetros a pé. Confesso que me senti um pouco mal, vendo as famílias holandesas a passar por mim a pedalar em esforço, enquanto eu fazia figura de fraco levando a minha bicicleta pela mão e apenas não fiquei totalmente desmoralizado quando percebi que os que me tinham ultrapassado acabaram por apanhar o mesmo barco que nós :)
Concluindo, gostei do passeio, tirando a parte do esforço que fiz a pedalar, e aconselho todos os que vierem a esta zona da Holanda a passarem um dia nesta ilha. Como disse no início, a bicicleta é, sem dúvida, o melhor meio de transporte para visitar Texel, mas convém estar preparado. O mais importante é planear bem o passeio, sabendo de antemão a intensidade e direcção do vento, planeando depois a volta de forma a passar na zona do parque, sob a protecção do arvoredo, contra a direcção contra o vento. Por exemplo nós, sabendo que o vento ia estar de sudoeste, o que sabíamos, deveríamos ter feito a volta ao contrário, deixando as praias para o fim.
[ Comentários: 1 ]

