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Sufrágios: mais argumentos estranhos

Publicado em 20 de Setembro de 2009 às 22:20 por António
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Um grupo de professores resolveu fazer as contas e informar-nos em quem devemos votar para tirar José Sócrates do poder.  Seria, na minha opinião, uma iniciativa interessante se se limitasse ao campo académico e teórico.  No entanto, ao procurar influenciar os eleitores para agirem de acordo com as conclusões do seu estudo, não é mais que uma perversão de toda a lógica da democracia representativa que ainda é o sistema político em que vivemos neste país, só comparável ao argumento  do voto útil que outros tentam fazer passar.  Este argumento falha pelo menos por estas duas razões:

  • Parte do princípio que apenas um partido (ou dois, no caso do voto útil) poderá ganhar as eleições.  Independentemente de todos os estudos que se possam fazer a priori, ganhará o partido que obtiver mais mandatos parlamentares, o que é decidido apenas pelos votos dos eleitores no dia do sufrágio.  Desta vez, têm quinze quadrados em que podem colocar a cruz e qualquer um dos partidos pode sair vencedor, bastando que consiga angariar mais votos que todos os outros. Não há vencedores antecipados.
  • Tenta convencer-nos a votar contra um partido — melhor, contra uma pessoa.  No nosso sistema político é suposto que nas eleições se vote no partido cujo programa político mais se aproxime das nossas ideias de como se deve governar o país.  Se estiverem indecisos podem, por exemplo, usar a Bússola Eleitoral, porque ao votar inconscientemente ou apenas contra alguém estarão a falsear os resultados, na verdade fazendo com que a vossa opinião não conte.  Só se todos votarmos em quem acreditamos teremos um parlamento que seja verdadeiramente representativo do sentir da população portuguesa.

Estranho que haja professores a pensar e, principalmente, a manifestar-se desta forma. Não só estranho como fico com receio, porque tenho uma filha no sexto ano e os professores representarão certamente uma influência importante na construção da sua personalidade.

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4 comentários:

Em 21 de Setembro de 2009 às 12:10, Carlos Rodrigues escreveu:

Essa bússola eleitoral tem tanto de válido como a numerologia. No meu caso, p.ex. falha redondamente.


Em 21 de Setembro de 2009 às 12:30, António escreveu:

No meu acertou em cheio e eu até optei por não fornecer qualquer indicação de preferência nas questões sobre os líderes que conhecia e os partidos políticos em que já tinha votado ou me considerava próximo. Há duas hipóteses: ou as tuas opiniões sobre as questões individuais não reflectem a tua preferência na hora de votar (caso em que deverias rever uma das duas) ou há realmente um erro na aplicação, que deveria ser reportado aos responsáveis.


Em 21 de Setembro de 2009 às 13:32, Manuel escreveu:

A bússola eleitoral ajudou-me a descobrir um novo partido (MEP) e acertou na maioria das questões, nomeadamente na análise parcial (temática)


Em 21 de Setembro de 2009 às 16:48, Francisco Santos escreveu:

Espera lá! As tuas “duas razões” também apenas se limitam “ao campo académico e teórico”!
Na prática, por muito que me custe que o primeiro-ministro venha a ser de um dos 2 partidos do costume, é isso que vai acontecer, pelo menos desta vez. Se eu vivesse num daqueles distritos, eventualmente até pensaria em votar num partido contra os meus princípios teóricos, se isso contribuisse para um mal menor. Não sei. Mas gostei de ver aquele estudo e se estiver bem feito poderá ser útil a muitos indecisos.
Não me repugna que eles queiram influenciar os eleitores. Nestas coisas sou muito liberal: influências, pressões, meios de comunicação privados partidários, etc. Acho que não faz mal nenhum as influências virem de vários lados, para além dos partidos. E quanto mais abertamente melhor; as influências ou pressões encobertas ou disfarçadas de não-influência é que me preocupam.
Também tenho crianças entre o 1º e o 6º ano na escola pública e estou consciente que entre os muitos professores haverá vários que terão influência nos meus filhos, uns num sentido, outros no oposto. Sempre foi assim, excepto talvez em alguns estabelecimentos de ensino privados (por exemplo os religiosos), em que a influência será num só sentido, já conhecido e aceite por quem põe os filhos lá. No ensino público, em que não podemos escolher os professores, se necessário temos que fazer com que a nossa influência nos nossos filhos supere a dos professores. Não vejo outra alternativa. Não sei como é que se consegue que os professores se “comportem” de modo que não tenham influências que não nos agradam. Ainda por cima neste sistema horrível em que as crianças passam mais tempo na escola do que deveriam.


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