Sufrágios: argumentos estranhos
Agora que o tema do TGV parece ter finalmente passado de moda, relembro alguns dos argumentos estranhos que foram defendidos nesta campanha eleitoral.
- “O TGV só daria empregos a imigrantes africanos e de leste“. Quem usou este argumento parece esquecer-se que só é usado trabalho imigrante quando não há trabalhadores nacionais para a mesma função pelo mesmo preço. A não ser que os imigrantes estejam em situação ilegal, mas aí entramos num caso do dever de fiscalização do estado, em especial nas obras públicas que são de sua responsabilidade. Esqueceram-se também que o TGV significa trabalho mesmo depois de terminada a construção das linhas férreas e estações — na sua manutenção e operação, na operação e manutenção das composições e em todas as pequenas e médias empresas (cá está, também eu as usei) que poderiam beneficiar com este empreendimento (estou a lembrar-me, por exemplo, de empresas de catering).
- “O TGV serve apenas os interesses espanhóis“. O Gato Fedorento colocou esta questão sob o prisma correcto ao afirmar que os espanhóis não precisarão com toda a certeza do TGV para se implantarem no nosso país — já o fizeram. Ambos os países beneficiarão com ele, mas mais Portugal, que só passando por Espanha conseguirá uma ligação à rede ferroviária de alta velocidade europeia.
- “Com o TGV ficamos mais perto do centro da Europa“, como parece ter querido fazer passar o nosso primeiro ministro ao deslocar-se de TGV entre Paris e Bruxelas. Será que nos querem fazer acreditar que o comboio é mais rápido ou mais barato do que o avião para chegar a Bruxelas, Estugarda ou qualquer outra cidade da Europa que não se situe na Península Ibérica?
Continuo sem opinião definida sobre este assunto e, convenhamos, não é com este tipo de argumentos que me vão esclarecer…




4 comentários:
Quanto aos dois primeiros pontos, são tiros nos pés da senhora Ferreira Leite. Realmente mais valia não dizer nada. Não é assim que ganha ao senhor José Sócrates.
Quanto à ligação com a Europa, pode não ser mais rápido nem mais barato, mas é uma alternativa. Já fiz o percurso Lisboa-Paris quatro vezes (há ou havia um comboio chamado Sud-Express) e só lamento que ainda não houvesse TGV. Infelizmente só o usei em França e Suíça.
Quanto ao TGV Lisboa-Porto, em comparação como o Alfa, já tenho as minhas dúvidas se vale a pena. Em princípio sou a favor, mas não com as planeadas quatro ou cinco paragens. É absolutamente ridículo se transformarem o TGV num interregional. Tem que ser só Lisboa-Porto, senão não vale a pena.
Mas estas discussões em relação ao próximo governo não valem a pena para já. É óbvio que o senhor José Sócrates já ganhou, a não ser que haja um terramoto político esta semana. Lá teremos que o gramar mais uns anos.
Com os tiros nos pés do PSD e uns azares ou calinadas do BE (por exemplo a incongruência dos PPR), o PS só vai perder uns votos de alguns professores e de um ou outro funcionário público ou equivalente. Não me espantaria se ficasse relativamente perto da maioria absoluta. A senhora Ferreira Leite ainda vai a tempo de contribuir para isso.
Resta-me lembrar que há mais 14 partidos além do PS. Mas os portugueses são os mesmos.
O TGV poderá talvez ser interessante — dependendo da quantidade da oferta — para percursos de distâncias intermédias como Madrid, Vigo, Sevilha ou mesmo A Corunha ou Barcelona, se a rede passar por esses destinos. Para Paris, Bruxelas, Londres, Berlim, etc., o avião é sempre mais barato e mais rápido.
Já agora, quanto à incongruência dos PPR, não percebo onde queres chegar. Um partido que advoga o fim de benefícios fiscais para os seus principais dirigentes é, quanto a mim, um exemplo a seguir. Já se falasses das acções de empresas privatizadas…
Bem, a verdade é que grandes investimentos em obras públicas têm sido inteligentemente utilizados ao longo dos tempos para injectar dinheiro interno no próprio país e contrariar assim a tendência do país ter um maior volume de importações que exportações…
NO ENTANTO, é preciso ver que, para injectar dinheiro interno, é preciso haver dinheiro
)
Se isso for provocar uma dívida interna ainda maior, lá se vai o interesse de fazer as obras públicas.
Além do mais, é preciso ver que, embora crie postos de trabalho (e esse é o único interesse das grandes obras públicas como combate à crise), é claro que estes têm de ser legais! Caso contrário, lá se vai o dinheiro injectado…
A ideia base é o governo injectar para depois receber de volta através de impostos, fazendo circular a economia.
O problema é que, num país tão culto como o nosso (depois destes 4 anos de facilidades no Ensino Básico e Superior), “toda a gente é doutora” e poucos vão querer trabalhar “nas obras” (públicas)
)
Ou seja, até nisso estamos na merda!
Hugz,
Luís
Isto para mim não tem grande importância, embora para outras pessoas tenha. Mas, para além do assunto dos benefícios fiscais, os dirigentes do BE têm dito que os PPR só servem para dar dinheiro aos bancos e que as pessoas têm perdido dinheiro com eles. Ouvi o Louçã confirmar isso, que também perdeu dinheiro. Ouvi o Miguel Portas dizer que por isso podem-no considerar masoquista. Além disso, os PPR são um “produto” nitidamente capitalista, concebido para reduzir a importância da segurança social pública.
Portanto, pelo que os dirigentes dizem, e pela teoria anticapitalista do partido, acho que nesta questão dos PPR não há coerência. O contrário se pode concluir em relação ao PCP, acreditando nas palavras do Jerónimo a propósito deste assunto.
Mas para mim cada um invista (ou seja masoquista) no que quiser. Eu se tivesse dinheiro e visse que os PPR davam lucro também investiria neles.
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